Loja

SAL

Passo Forte – CD

12,00 (IVA incl.)

SAL

“Passo Forte” – CD Digipack

SAL é um dos mais recentes e, provavelmente, um dos mais bem guardados segredos da música portuguesa actual, uma banda que é resultado de um percurso repleto de energia, suor e lágrimas dos seus membros. No fim, tudo volta a ser sal.

Encontraram-se em Diabo na Cruz e durante mais de dez anos, foram responsáveis por boa parte da sonoridade da banda e pela energia única das suas míticas apresentações ao vivo. À bateria do João Pinheiro, à voz e braguesa do Sérgio Pires, ao baixo do João Gil e às guitarras do Daniel Mestre com um passado comum ligado aos extintos Diabo na Cruz, juntam-se os teclados do Vicente Santos.

“Passo Forte” é o primeiro disco da Banda, editado a 29 de Outubro de 2021 pelo selo da Valentim de Carvalho.

Em stock

REF: SAL_CD Categoria:
Mais informações sobre o produto

CD, Tracklist: 

1. Morrer (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

2. Passo Forte (letra: Lília Esteves; Música: João Pinheiro/ Sal)

3. Profeta da Desgraça (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

4. Mal Antigo (letra: João Pinheiro; Música: João Pinheiro/ Sal)

5. Sorriso Sol (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

6. Fim do Mundo (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

7. Faz Por Merecer (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

8. A Semente e o Pastor (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

9. Não Vale Chorar (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

10. O Caçador (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

11. Do Que É Feito Este Chão (letra: Sérgio Pires; Música: João Gil/ Sal)

12. Não Sou da Paz (letra: Sérgio Pires; Música: Sérgio Pires/ Sal)

 

Todos nós nos encontramos, pelo menos uma vez na vida, num ponto em que temos mais medo de sair do que ficar.

Quão fácil é ficarmos acomodados à doce rotina, ao conforto do expectável, ao sustento garantido, à espera que lá fora a pandemia desapareça e que o populismo se esgote.

O que fazemos a partir desse momento é aquilo que nos define. É o que vai dar sentido a tudo o que vivemos e que temos por viver, à forma como seremos recordados, às pessoas pelas quais seremos estimados, à inspiração que podemos ser e ao amor que podemos dar.

O processo, esse, é mais complicado. Por vezes é preciso “Morrer” para encontrar a nova forma de viver, sobreviver à purga, encontrar uma nova voz que seja capaz de dizer aquilo que dói, mas também aquilo que vai curar.

A partir daí, é preciso encontrar o passo certo para ir à procura da felicidade, de, em família, encontrar uma nova identidade, ou a própria que sempre lá esteve, mas presa numa jaula a fazer sempre os mesmos truques, num circo “Lynchiano”.

Esta é uma banda que sente, que se sente à flor da pele em cada canção, seja o nervo de quebrar uma rotina, da ansiedade que nos consome ou de um populismo que vai ganhando expressão mas que de novo tem muito pouco.

De uma pandemia para a outra, “Não Vale Chorar” pela distância que nos separa, mas por aquela que nos une, o abraço da solidariedade, dessa família que se juntou para cantar durante o distanciamento obrigatório e do amor fraterno de se voltar a juntar.

Família, aliás, é o que não falta neste disco. O amor fraterno dos elementos de SAL é claro que nem água, mas há espaço para todos aqueles e aquelas que arrancam um “Sorriso Sol” a cada um deles, seja no meio do “Fim do Mundo”, seja a dar a mão num “Mal Antigo”. Há sangue, suor e lágrimas nas letras de SAL, e por mais peripécias que tenham que passar, há sempre um momento de encontro, seja espiritual, ao lado d’”A Semente e do Pastor”, seja fantasmagórico no confronto d’”O Caçador” ou dos medos ulteriores “Do Que é Feito Este Chão”.

A vida sem SAL não tem sabor, o mesmo que dizer que a música popular sem a componente de intervenção também não tem sentido e por isso, não podia faltar essa luta que é embandeirada em arco no hino de uma geração que fecha o disco.

“Não Sou da Paz” é  uma reflexão sobre uma palavra que não tem fim, que é uma constante da luta da condição do ser humano, é uma palavra que só descansa quando se deita num caixão. É uma manifestação de intenções de uma luta que tem que ser nossa e que os SAL trazem em cada canção. Canção essa que está mais próxima de cada um de nós, do que o SAL que sai do nosso corpo em forma de água.

 Sonoramente, a banda de Sérgio Pires (voz e braguesa), João Pinheiro (bateria), Daniel Mestre (guitarras) e João Gil (baixo), todos ex-Diabos na Cruz, e Vicente Santos (teclas), demonstra como a música popular portuguesa, traduzida nos adufes, na braguesa ou no acórdeão, se exulta com as guitarras dos anos 90 e que navega pelo drone ao mesmo tempo que invoca o medieval ou o ocidental. 

A capacidade em criar tonalidades através das melodias de piano, quer sejam de um piano perdido ou de um harmónio eléctrico, mostra que estes 5 lobos do mar, não têm medo das ondas que possam criar, aventurando-se em texturas que roçam o industrial ou mesmo o psicadélico. Cada canção é um regalo para o ouvido se deleitar com o domínio da arte de “Fazer Por Merecer”.

Existe um Portugal dentro deles que não acaba e um rock moderno cheio de alma, uma alma purificada pelo sal que sarou as feridas e abriu o caminho para novas descobertas. Pedro Moreira Dias